Nada será como antes.

Tudo mudou. Eu mudei, você mudou. Nós mudamos. O mundo mudou. Com apenas quatro dedos em uma tela, quebramos barreiras, superamos os limites da geografia, da distância, da saudade.

Mas isso basta? Dois sinaizinhos azuis podem ser sinônimo de atenção ou de descaso, caso nada mais seja “dito”. Mandamos aúdios e os ouvimos depois, tentando ver se parecemos legais, descolados, enquanto tentamos adivinhar a reação de quem ouviu, se é que ouviu.

Substituímos a emoção de um de gol pela necessidade de compartilhá-lo. Queremos que as pessoas saibam o que estamos fazendo, ou deveríamos estar fazendo, se não tivéssemos tão preocupados em ficar bem na foto, bem na fita.

Desperdiçamos momentos em lugares incríveis, com pessoas incríveis, por estarmos preocupados se a luz está boa, se o sinal está fraco. Sinal dos tempos.

Eu mudei, não sei se por que quis, ou porque precisei. Também, curto, compartilho, dou haha!, kkkkkkk, mesmo que as vezes minha expressão seja a mesma enquanto vejo fotos, check-ins, textões.

Cada dia mais, reconheço meus amigos pela voz dos áudios, pelas fotos em restaurantes. Não os reconheço, não me reconheço.

A tecnologia evoluiu, mas nós não evoluímos o suficiente para acompanhá-la. Não nos lembramos de caminhos, números de celular, escrever à mão, gritar um gol até a cabeça explodir. Nos lembramos de checar as notificações, os dois sinaizinhos azuis, o áudio, o vídeo.

A tecnologia tirou de nós tudo o que tínhamos de melhor. E estávamos muito ocupados para perceber isso.

Nada será como antes.

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