Moletom

Desempregado, se estapeando com a vida através de frilas tristes e alegres coberturas fotográficas de crianças fofinhas. Este é meu 2015, so far. Se eu pudesse tatuar uma frase, certamente seria o mantra de Kátia, a Cega. “Não está sendo fácil” (ia ficar sub-entendido, mas fiquei pensando que nem todos aqui tem mais de 30 ou não assistem as reprises do Chacrinha no Viva). Já fui em várias entrevistas, já decorei perguntas, respostas, dinâmicas e até mesmo uma cara que mistura decepção e condescendência para as respostas negativas. Tipo o Michael Keaton quando perdeu o Oscar.

Tentando ainda sair de 2014, fico nesse Keep Walkin’ da vida real. Me motivo pensando que a vida é um ciclo, que é só uma fase, que passará rápido (mesmo o Facebook me lembrando naquele maldito “Notificações deste dia” que faz um ano que eu fui demitido do Gêzão.

Ao menos na última semana parei de postegar as coisas que prometi por aí. Há quase um ano falei pro meu tio que ia mandar umas fotos que eu tirei. Mandei pra assistência um cartão de memória que deu pau enquanto eu fotografava em Holambra em agosto. Organizei minha coleção de revistas.

Tudo isso porque eu decidi mudar! (Mentira. Eu fiquei sem desculpas. Vou falar o que pra eles? Não tenho tempo?)

Na verdade, eu fiz isso porque cheguei no fundo do poço. Não, não comecei a beber feito doido, nem gastar minhas economias com mulheres, drogas, discos do Roberto Carlos e Boxes de Novelas.

Pior.

Foi na última terça. Acordei as 5h30, fiz café, colei a cara no monitor e escrevi como se não houvesse amanhã. As 16h30, terminei minha produção diária e fui tomar um banho. Estava frio. Fiz outro café, peguei um meu cobertor do Homem Aranha  sentei no sofá. Aí me dei conta que realmente eu desci no nível mais baixo da sociedade.

Terça, 17h35, eu estava deitado no sofá, com uma caneca do Homem Aranha  cheia de café, com um moletom cinza do bolso rasgado e assistindo “Malhação”. Se você gosta de “Malhação” tudo bem, não estou julgando. Mas se você assiste “Malhação”, você tem um dos três problemas:

a) Você está desempregado

b) Você está doente

c) Você está de férias e não tem um pau pra dar no gato no bolso.

Ao menos, segundo os filósofos e seguidores de Caio Fernando Abreu no Twitter, “chegar no fundo do poço é fundamental para que você tenha onde se apoiar para subir ate a superfície”.

Foda-se. que assim seja. Na verdade eu espero que as coisas melhorem em pouco tempo, que eu saia do poço, tire o moletom e volte a ser pago regularmente para fazer o que eu sei fazer de melhor. (esse texto não é parâmetro, beleza?). E que um dia eu e o Robson possamos finalmente sair do “mano, um dia a gente vai estourar” pro “mano, sabia que essa porra ia dar certo”.

E daqui várias décadas, quando eu morrer, que alguém crie um twitter com minhas frases, assim como fizeram com o Caio Fernan zzzz e me atribuam frases que não são minhas.

“Mostra pra esses cu como é que faz” (Caio Fernando Abreu)

I’ll back, bitches!

PS: Escrevi esse texto de roupão. Moletom não.

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