A que horas ela volta?

Depressão é um assunto delicado. Não vou mentir. Falar abertamente sobre isso requer uma soma de fatores, emoções e sensações que se sustentam em uma só coisa: aceitação.

Na minha opinião, quando você pensa, “ok, eu tenho depressão”, são dois os caminhos que você pode seguir.

A – Você não faz nada e a deixa controlar seu destino.

B – Você passa a refletir sobre como pode assumir o controle da sua vida.

Além de refletir sobre como eu poderia retomar o controle da minha vida, também tentei não problematizá-la, não fazer dela algo maior do que ela é.

Ainda ontem falei com uma amiga sobre a percepção que tenho sobre pessoas que tem depressão e como a aceitação pode ajudar na conexão entre elas.

Pessoas se conectam por afinidade, empatia, gostos parecidos. Isso é fato. Como quem gosta de Star Wars, Harry Potter ou Senhor dos Anéis. Eu sei qual dos meus amigos gostam desses universos, mas não sei quais dos meus amigos sofrem ou já sofreram com a depressão. Porque nem todos conseguem falar sobre isso.

Mas ao assumir a depressão ou qualquer outra condição que a sociedade veja de maneira diferente, você gera uma onda de empatia nas pessoas que também convivem com essa condição, encorajando-as a falar sobre o assunto. Provocando aquela balançadinha de cabeça e o: “eu sei como é.”

Aceitar, trocar experiências, ajudar, acabou me ajudou a sobreviver à tempestade que a depressão causou na minha vida. Após a tempestade, mudei muito.

Hoje sou uma pessoa melhor. Julgo menos, reclamo menos, aceito mais, respeito mais e vivo melhor. Não porque eu tenho a receita secreta ou a fórmula mágica para combater a depressão.

Eu só a encaro de frente.

Viver é foda.

Há uns 20 dias fiquei sabendo que dois conhecidos meus, de mundos completamente diferentes, fizeram a mesma coisa, na mesma semana: tiraram a própria vida.

Um tiro, um último suspiro, duas famílias destruídas pela ausência, assustadas por como aconteceu e sem saber o porquê aconteceu. Dias depois da morte, o diagnóstico:

Depressão.

A depressão que para muitos é “frescura” ou “falta de problemas”, cada vez mais leva pessoas a desenvolverem outras doenças e, em alguns casos, ao suicídio. Quem tem depressão raramente pede ajuda. Porque?

Por experiência própria, quando a depressão te pega de jeito, você tem a CERTEZA ABSOLUTA que ninguém se importa com o que você está sentindo ou pensando. Nos meus piores dias, eu me sentia como se tivesse em uma puta festa, cheia de gente, mas não conhecesse ninguém e pensava: “será que se eu sair alguém vai sentir falta?”

Por medo de comprovarem essa teoria de que ninguém liga pro que você sente, muitas pessoas que sofrem de depressão tentam esconder os sintomas. No meu caso, eu tentava ser o mais engraçado que pudesse.

Quanto mais eu te fazia rir, mais eu queria esconder de você o que eu estava sentindo.

Em um determinado momento, a diferença entre essas duas pessoas que eu citei e eu era uma só: eu não tinha uma arma na mão. Hoje não tenho vergonha de dizer isso. Me lembro do dia em que eu estava disposto a “deixar a festa definitivamente”.

Eu estava sozinho em casa, meus pais estavam viajando e eu pensei: é hoje! Peguei o carro e peguei a Marginal Pinheiros. Era a hora. Meus pensamentos eram mais velozes que as luzes da cidade passando por mim.

Até que ouço John Lennon cantar “yeah we all shine on like the moon and the stars and the sun” (todos nós brilhamos, como a lua e as estrelas e o sol). Comecei a cantar junto os outros versos de “Instant Karma” e fui diminuindo a velocidade até encostar em um posto e chorar tudo o que eu tinha pra chorar. Me lembro de pensar nas coisas que me faziam valer a pena estar vivo. Naquela época, pensei nos meus pais, na minha família, minhas avós. E voltei pra casa.

Nunca mais cheguei a pensar “é hoje!” Mas vez ou outra faço esse exercício que apelidei de “porque eu tenho que ficar”. Nessas horas, sempre me vem à mente o sorriso da minha esposa quando a gente acorda, brincar com meus sobrinhos até cansar, ficar com a minha família sem fazer nada, fazer as pessoas chorarem de rir (vez ou outra acontece) e tentar passar uma mensagem positiva por onde eu passar.

Eu queria que essas duas pessoas e tantas outras que se tiraram a própria vida tivessem ouvido John Lennon ou qualquer outra pessoa que pudesse lembrá-los de que a festa nunca mais seria a mesma sem a presença delas.

Não espere alguém ir embora pra dizer o quanto ela é importante pra você. Qualquer palavra faz diferença.

Se você tem depressão e está lendo, uma dica: controle sua mente, não deixa que ela o controle. E se precisar conversar, me escreva!

Você não está sozinho!

Todo mundo odeia o Ney

“Neymar aparece com novo penteado.”, “Neymar reaparece com cabelos curtos.”

Dos craques brasileiros que vi jogar, Neymar, disparadamente, é o menos querido pela torcida brasileira. Zico, Romário, Ronaldo, Rivaldo, eram unanimidades. Neymar não.

Por mais que sua habilidade seja incontestável, o torcedor brasileiro espera mais dele do que isso. Desde Garrincha, o torcedor brasileiro gosta do jogador habilidoso e efetivo. Não fosse assim, Denílson seria um dos grandes ídolos de nossa história, mas é lembrando por correr de 6 turcos na Copa de 2002.

Ronaldo fez um penteado ridículo às vésperas do penta. Crianças e adultos copiaram seu corte. Neymar fez um penteado horrível para a estreia da Copa 2018; virou meme. Ronaldo sempre demonstrou vontade em defender a seleção, exceto em 2006, quando sua barriga chamava mais atenção do que seu futebol. Mesmo assim, fez 3 golzinhos.

O que Neymar quer da vida? Ser campeão de uma Copa do Mundo sendo decisivo, fazendo gols, jogando para o time e ajudando na marcação? Ou mudar os penteados, aparecer com os parças nas folgas e irritar a torcida e o time com sua individualidade, além de cair a cada lance que dá errado?

Eu não sei, de verdade. Mas espero que ele descubra isso ainda essa semana. Caso contrário, o Menino Ney será mais um jogador com talento indiscutível, que tinha tudo para chegar no nível de Pelé, Garrincha, Zico, Ronaldo, Romário e Rivaldo, mas que não passou de um Ronaldinho Gaúcho, que quando percebeu, tinha se tornando indiferente para o torcedor brasileiro.

Aberturas de todas (as minhas) Copas.

Das 21 Copas, vi 9. Sempre um detalhe me marcou em cada uma delas. Os jogos de abertura, principalmente. (menos 2006). É impressionante como a vida muda a cada 4 anos. Esse post conta como vi a abertura de todas as copas que vi, desde 1986.

drsocrates

01/06/1986 – a primeira a gente nunca esquece

Obviamente, eu não sabia direito o que era Copa do Mundo. Mas descobri rapidinho que era uma coisa que parava o país. Tudo era sobre a Copa. Até na festa junina da escola, o tema era Copa. Não me lembro o primeiro jogo da Copa 86, mas lembro o primeiro do Brasil. Afinal, passei os primeiros seis meses do ano batendo as figurinhas dos jogadores que vinham no chiclete Ping Pong, agora poderia ver em campo os caras das figurinhas difíceis. Sócrates, Casagrande e meu ídolo Zico. Nas brincadeiras com meu primo eu era o Casagrande. Como era mais velho, ele decidia ser o Zico e foda-se. Duas coisas me marcaram nesse jogo: o calção branco do uniforme do Brasil, que parecia outro time, e o Sócrates com uma faixa na cabeça na hora do hino. Ganhamos com um gol dele, sem a faixa, no rebote da trave.

Brasil 1×0 Espanha e o Araken, o Showman na tela da Globo.

08/06/1990 – o dia que eu fingi estar doente para ver Argentina 0x1 Camarões.

A Copa do Mundo foi disputada na Itália e agora eu já tinha mais noção do que era futebol. Já tinha visto o Palmeiras se foder várias vezes e o Brasil se classificar na Copa graças à mina que soltou um morteiro no campo (Rosenery Fogueteira, que virou capa da Playboy e morreu um dia desses) e o goleiro do Chile fingiu ter sido acertado na cabeça.

Ainda não estava de férias da escola e queria ver o jogo de abertura. Maradona ia jogar. “O cara” da última Copa, que eu via jogar todo domingo de manhã na Bandeirantes, agora na Copa do Mundo. Não ia perder. Fiz um drama, fingi que estava mal pra não ir à escola e fiquei em casa pra ver o jogo. Sozinho. Depois descobri que todos da minha classe foram pra Sala de Vídeo e viram o jogo comendo pipoca. Foda, né?

17/06/1994 – o pior jogo de abertura que eu vi

WHITNEY 2

Empolgação máxima para a Copa, não por causa da Seleção, que saiu daqui como se fosse um time de várzea. Mas porque eu respirava futebol nessa época. Passava o dia jogando futebol, o Palmeiras ganhava tudo e os campeonatos de outros países já passavam em alguns canais brasileiros. A abertura foi legal, coisa de americano mesmo. Pelé correndo igual louco, Whitney Houston perdendo penalti. Tudo legal. O que estragou foi o jogo. Alemanha 1×0 Bolívia. Eu vi o primeiro tempo e fui jogar bola.

Não me arrependo.

10/06/1998 – a Copa do Office-Boy

Não me lembro da festa de abertura. Eu era um dedicado office-boy de uma pequena empresa de tecidos na Barra Funda. Fui a milhão nos bancos e ia pro Anhangabaú ver o jogo no telão. Mas meu chefe queria todos lá e me fez ir mais cedo pro banco. Cheguei em cima da hora, os salgadinhos já tinham acabado e a coca já tava no final. Quando eu cheguei, aquele olhar de “ah, é mesmo. Faltava o boy.” Fui comer um pastel e tomar uma coca no bar e voltei pra ver o jogo e ouvir piadas do dono da empresa sobre futebol, além da esposa argentina dele que torcia contra. Brasil 2×1 Escócia. Chupa, babaca!

esporte-futebol-copa-1998-20140523-04-original1

31/05/2002 – a Copa do samba

Nessa época o samba já era grande parte da minha vida. Tocando quase todos os dias, dormia pouco e via os jogos assim que chegava em casa. Lembro de ter chegado de um samba, tava um frio danado. Tomei banho, um leite quente e liguei a TV e vi Senegal 1×0 França. Uma zebra daquelas. O time da França era formado pela maioria daqueles arrombados que acabaram com o Brasil em 98, só que mais velhos. O Zidane tava machucado e só jogou o último jogo. Resultado. “Au revoir, otários!”

diouf

2006 – a Copa que eu não lembro de porra nenhuma

Graças a um time cagão e cheio de jogador vagabundo, não lembro de quase nada. Nem mesmo de onde eu estava no primeiro jogo.

2010 – a Copa das Férias

Esperei anos por esse momento…férias! Marquei minhas férias justamente para o mês da Copa. Mês não, porque só me deixaram tirar 20 dias. Mas mesmo assim foi foda! Primeiro jogo foi lendário. África do Sul 1×1 México. A alegria do povo sul africano e a entrada dos jogadores cantando músicas do folclore do país foi de arrepiar. Ruim mesmo era ouvir aquela caceta de vuvuzela o tempo todo. Como o Dunga era técnico do Brasil, não tava muito preocupado em ser campeão.

bafana-bafana

2014 – a Copa do trânsito

Fui trabalhar em Cajamar, uns 40 km de casa. O trânsito acabou com meus planos desde o primeiro jogo. Impossível chegar em qualquer lugar sem ser minha casa para ver o jogo. Brasil 3×1 Croácia começou estranho, com um gol contra do Marcelo. Parecia que alguma coisa estranha ia acontecer nessa Copa…

203522-marcelo-nao-se-abala-com-gol-contra-950x0-1

2018 – a Copa do Hexa

A abertura da Copa 2018 foi com uma goleada. Me lembro como se fosse ontem. Rússia 5×0 Arábia Saudita. Dessa vez, #OHEXAVEM

OLHUGOOOOL!

Puta que pariu, chegou a Copa do Mundo 2018! Finalmente! Demorou uma eternidade desde aquele 7×1. Sim, porque depois desse jogo eu caguei pra Copa. Eu tava tão abalado que torci pra Argentina na final! De lá pra cá, muita coisa mudou. Algumas mudanças inimagináveis pra mim naquela época. Eu perdi 40kg, casei, o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil, do Brasileirão, meus sobrinhos agora falam coisas que fazem sentido (não todas) e ganhei um sobrinho que ainda não vai muito com a minha cara.

A partir de amanhã, serão vários jogos recheados de craques, golaços, memes e  histeria do Galvão Bueno. Claro, também teremos comentários babacas de quem não gosta de futebol e acha um absurdo o país parar pra ver “11 caras correndo atrás de uma bola”. Legal é quem fica na fila pra ver “Star Wars”, não sai de casa por causa da novela, ou gosta do Roberto Carlos. Deus tá vendo.

Ah, também tem aquela galera que fala que “você se preocupa com as vitórias do Brasil em campo e se esquece das derrotas fora dele”. Ou “Educação: Alemanha 7×1 Brasil”, “Saúde: Alemanha 7×1 Brasil”. Malandro, é Copa do Mundo, não é competição da ONU, ou “Cidade x Cidade”. Até dia 14 de julho eu quero é bola na rede! Já vou no mercado hoje para não ter que sair de casa no horário de Croácia x Nigéria, ou ir à feira enquanto Costa Rica x Sérvia disputam cada palmo de campo.

alison

E eu vou torcer pra caralho pra Seleção Brasileira, porque a seleção é do povo e não da CBF. E digo mais! Que nosso time jogue um futebol lindíssimo, como nosso goleiro Alisson, o único que vai em todas as bolas como um gato!

E que o Menino Jesus abençoe vocês todos! E Deus salve o Ney!

#PositividadeAsVezes

 

Eu queria muito ser positivo como as mensagens que vejo nas redes sociais, ou os textos que leio no LinkedIn, onde tudo parece muito simples. Eu queria acreditar mesmo que as pessoas acreditam no que escrevem, compartilham. Mesmo sendo frequentador das redes sociais, vivo em um mundo real, onde nem tudo dá certo, nem todos os dias são bons e existe muita gente filha da puta e falsa por perto.

É duro, mas esse mundo existe. E eu, que estou tentando recomeçar após um 2017 difícil, continuo pagando o preço por viver o sonho de outras pessoas, acreditando na reciprocidade de sentimentos e, principalmente, de consideração.

Mas toca o barco.

Adoro ver as pessoas falando de “humildade pra recomeçar”, “dar dois passos atrás pra depois dar um pra frente” (acho que não é isso, pois nesse caso, você ficaria um passo atrás de onde estava). As últimas entrevistas de emprego, ouvi que “estamos procurando alguém mais jovem”, ou “você quer mesmo essa vaga? Seu currículo é bom demais pra ela” e também ouvi um “adorei você, seu perfil, seu currículo, semana que vem nos falamos”. E isso já tem quase dois meses.

Ouvi conselhos de “procure emprego em outra área”. Eu queria viver nesse planeta onde um profissional de RH recebe currículo para a vaga de engenheiro e lê: “38 anos, formado em Comunicação Social/Jornalismo, experiência como redator, editor, editor-chefe, coordenador de comunicação interna, fotógrafo” e decide. Poxa, acho que vou chamar esse cara pra uma entrevista!”

Esquece…

Não sou pessimista, nem otimista. Sou realista. As vezes tomo uma injeção de ânimo e entro nessa onda de #positividadesempre.

Mas acho que sou mesmo da #positividadeasvezes ou #positividadecommotivo.

A gente vai se falando.

Eu te ligo…

Você sai uma, duas, três vezes com uma pessoa. Vocês conversam, riem, divertem-se, tudo ótimo. Por um momento você pensa: “eu poderia tê-lo (a) por perto todos os dias. Seria legal”.

Aí, ela fala ou faz alguma coisa que te dá aquele alerta de “sai fora”. Uma piada racista, um comentário idiota, uma resposta atravessada. O encanto quebra, ela já não é tão legal e você já não quer nem esperar o café pra sair fora e deixá-la em casa (ou no terminal Pirituba. Entendedores entenderão).

Mas você não diz isso. Você não quer constranger a pessoa. Não quer deixá-la com a autoestima baixa. Entre nós, você não quer falar algo que possa ser usado contra você no futuro. Nunca se sabe o que uma noite fria pode fazer com você. Melhor deixar as portas abertas. Eu já fiz isso, você já fez isso.

Assuma.

Não é legal, a gente sabe. Mas é mais fácil reverter isso no futuro. “Perdi seu telefone”. “só deu caixa”, “minha avó morreu”, “tô trabalhando muito”. Eu mesmo já disse que tinha ido morar nos Estados Unidos. Claro, não tinha Facebook, Instagram, essas coisas. Podia ir pra onde quisesse.

Mas esses dias, pela primeira vez fiquei chateado por receber um “eu te ligo…”

Participei de um processo seletivo em uma grande empresa. Falei com o RH, fiz testes, fiz entrevistas com a gestora, que foi muito legal. Conversamos, rimos, nos divertimos, e eu até pensei: “podia vir aqui todos os dias. Seria legal.”. E ela também parecia retribuir meu sentimento. Ficou de me ligar na semana seguinte.

Quando nos despedimos ela confundiu meu nome. Corrigi sutilmente, mas fiquei envergonhado. Será que ela estava comigo pensando em outro?

Não sei.

Uma semana se passou. Duas. Três.

Até que um amigo, ciente da minha agonia, me avisou. “Léo, não rolou. Infelizmente.”

Eu já imaginava. Depois de tanto tempo. Mas sabe como é.

A gente sempre fica na esperança de uma reviravolta. Confesso até que já me imaginava ali.

Não serei orgulhoso. Se o telefone tocar, pode ser que eu vá conversar. Não vou cobrar explicações, nem quero saber o que aconteceu.

De repente, ouvirei que “era muito trabalho”, ou “perdi seu telefone”.

Pode até ser que “tenha ido morar nos EUA”.